Ao contrário do que muita gente pensa, cuidar da pele do bebê é muito simples.
A diferença é que a pele do bebê é mais imatura, mais delicada e permeável. Só depois do segundo ou terceiro ano de vida é que a pele amadurece completamente, com o desenvolvimento das glândulas sudoríparas e da imunidade e a diminuição da permeabilidade.
“A área de superfície em relação ao peso é mais importante no bebê”, explica Valter Kozmhinsky, presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Por isso, a absorção de substâncias pela pele dos bebês é maior.
A espessura é outro fator de influência. Tanto a camada mais superficial da pele quanto a camada de gordura são mais finas, facilitando, por exemplo, a ocorrência de infecções e a diferença na regulação de temperatura do corpo. As glândulas também são mais imaturas, o que afeta diversos aspectos. Um deles é que torna-se mais difícil eliminar o suor. “A imaturidade no hipotálamo afeta a regulação térmica do recém-nascido, fazendo com que oscile muito a temperatura do corpo”, explica Kozmhinsky.
Banho
A pele do bebê é mais seca do que de crianças e adolescentes. Assim o uso de sabonetes com o pH mais próximo do neutro é muito importante. A temperatura da água deve ser agradável.
“O banho deve ser um momento relaxante de conforto”, diz o especialista. Uma dica é medir a temperatura com o dorso da mão, para ter certeza de que está adequada, e dar banhos rápidos.
O próprio sabonete serve para lavar a cabeça da criança.
Ediléia Bagatin, do Departamento de Dermatologia Cosmiátrica da Unifesp, lembra que alguns recém-nascidos apresentam uma secreção sebácea por influência dos hormônios maternos, mas que bebês não possuem glândula sebácea.
Ela recomenda uso de pouca quantidade de sabonete, que pode ser líquido ou em barra, sempre neutro. Isso evita irritações na pele. As esponjas são dispensáveis, apesar de não serem contra-indicadas: “O contato da criança com a mãe traz benefícios muito grandes”, diz Bagatin.
Alergias
O sistema imunológico dos bebês recém-nascidos é imaturo. Apenas depois dos três meses de idade é que eles adquirem anticorpos. Assim, pode-se dizer que, apenas depois dessa fase é que começam a surgir as alergias. Até então, o que ocorre são simples irritações.
As irritações são limitadas à área de contato de substância com a pele. São mais localizadas que as alergias. Estas se disseminam mais, com uma reação imunológica de hipersensibilidade na pele.
Ambos os problemas devem ser levados a um especialista, o pediatra ou um dermatologista, para que ele avalie e possa tratar adequadamente. “Nuca trate uma alergia ou uma irritação de maneira caseira, nem recorra diretamente à farmácia. Só o médico pode orientar o tratamento”, alerta Ediléia Bagatin, do Departamento de Dermatologia Cosmiátrica da Unifesp.
Em caso de suspeita de que há algum problema, como o aparecimento de manchas, vermelhidão, escamação ou bolinhas, suspenda o uso da substância e leve o bebê a um especialista.
Perfumes, hidratantes e talcos
Apesar de bebês terem a pele mais seca, o uso de hidratantes deve ser limitado à indicação do pediatra ou do dermatologista, em casos específicos. Isso porque se a pele do bebê for muito seca, ela tende a descamar e a rachar, causando desidratação da pele e aumentando as chances de irritação e alergias.
O uso de talcos deve ser feito com muito cuidados, para que a criança não inale a substância, o que pode fazer mal à saúde.
As pomadas utilizadas nas trocas de fralda também precisam ser dosadas, pois impermeabilizam a pele, impedindo que ela respire. O ideal é falar com o pediatra a respeito da indicação de uso.
Quanto aos perfumes, procure utilizá-los nas roupas dos bebês, nunca diretamente na pele, para evitar irritações.
Banho de sol
Os bebês devem tomar banhos de sol curtos, e o período mais indicado é o início da manhã ou o final da tarde, para evitar que o calor cause brotoejas e outros problemas à pele. O banho de sol deve durar cerca de 15 minutos.
Quanto ao uso de filtro solar, ele não é recomendado para bebês menores de 6 meses de idade. Para driblar os raios solares, prefira bonés, chapéus, calças compridas e blusinhas de manga longa. A incidência de sol nas mãos e pés já será muito benéfica ao bebê e suprirá suas necessidades.
Se for necessário, pode-se usar repelente para afastar insetos, se o ambiente for propício e se a pele não apresentar feridas. Mas a melhor prevenção é ainda o uso de roupas que protejam o corpo todo. Se as picadas não puderem ser evitas, o pediatra poderá recomendar qual o melhor tratamento a ser seguido.
Inverno e verão
No verão, quando o tempo é mais quente, o ideal é que a alimentação do bebê seja mais leve e que se estimule o consumo de líquidos, como água e chás. As roupas devem ser leves, para facilitar a ventilação, e as dobrinhas merecem mais atenção:
precisam ser enxugadas com cuidado, para que não apareçam micoses no local.
Já no inverno, é preciso tomar cuidado com fungos, e brotoejas, que podem aparecer se o bebê estiver com excesso de roupa. Piolhos e sarna também são problemas que merecem atenção. O ideal é que as roupas sejam de algodão, para evitar esses problemas.
Com simplicidade é possível cuidar da pele do seu bebê para mantê-la sempre sadia e saudável.