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  • Leucemia infantil: Tratamento e cura

    Em princípio, a cura da leucemia requer a erradicação completa das células leucêmicas, o mais precoce possível. "Na prática, procura-se reduzir o número das células leucêmicas até o ponto em que não mais ocorra a manifestação clínica e laboratorial da doença, tecnicamente definido como estágio de Remissão Clínica Completa (RCC)", afirma a dra. Silvia Brandalise, médica onco-pediatra e presidente do Centro Infantil de Investigações Hematológicas Dr. Domingos A. Boldrini, maior centro onco-hematológico pediátrico da América Latina.

    O Boldrini, localizado em Campinas (SP), referência latino-americana no tratamento de crianças com câncer e doenças do sangue, como hemofilia, talassemia e anemia falciforme, é o maior hospital especializado na América Latina, na área da onco-hematologia pediátrica, e em mais de duas décadas cadastrou o atendimento a quase 10 mil pacientes. Um dos centros mais avançados do país, o Boldrini reúne alta tecnologia em diagnóstico, tratamento clínico especializado com índices de cura de 70% em alguns tipos de câncer - comparáveis aos do Primeiro Mundo -, disponibilidade de leitos e atendimento humanitário às crianças portadoras destas doenças. A maioria dos atendimentos (80%) feito pelo SUS.

    A leucemia é considerada em remissão quando, além da ausência de sinais e/ou sintomas decorrentes da doença, a medula óssea apresenta menos de 5% de células morfologicamente identificadas ao microscópio como cancerosas. "Isto já pode ser constatado após as duas primeiras semanas de tratamento. Nesta situação, entretanto, o paciente poderá ainda apresentar até 10 bilhões de células cancerosas, não detectadas pela análise ao microscópio", diz o pesquisador e geneticista José Andres Yunes, coordenador do Laboratório de Biologia Molecular do Boldrini. A estas células cancerosas remanescentes, as quais não são detectadas pelas técnicas convencionais de análise morfológica ao microscópio, dá-se o nome de Doença Residual Mínima (DRM). Até o desenvolvimento dos métodos mais sensíveis, capazes de detectar e quantificar o número destas células residuais, a dinâmica (aumento ou decréscimo) da população de células cancerosas, após a obtenção da remissão, era algo desconhecido para o clínico. "Com o exame da Doença Residual Mínima é possível saber se no percurso do tratamento, a população de células cancerosas sofre rápido decréscimo, ou um decréscimo menos acentuado, ou mesmo se mantém-se constante com tendências a aumentar" diz Silvia Brandalise.

    A relevância clínica da dinâmica das células leucêmicas residuais no percurso do tratamento, ainda não foi completamente estabelecida, porém, os resultados até o momento são bastante promissores, tendo mostrado que o decréscimo, com eventual desaparecimento da DRM logo no início do tratamento está associado a uma evolução favorável. A persistência ou aumento do número de células leucêmicas residuais, geralmente precedem a recaída.

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