Freud, em 1920, no artigo "Para Além do Princípio do Prazer" observa o seu neto num jogo que chamou de fort-da.
O garotinho, em seu berço, balbuciando as primeiras palavras, inicia uma brincadeira com um carretel amarrado a um cordão, joga-o para fora do berço e diz fort e o puxa de volta; alegre com sua reaparição, o saúda com da.
Esta brincadeira tão simples nos demonstra uma aquisição importantíssima no desenvolvimento de uma criança: a representação.
O bebê encena através dos objetos a seu alcance o desaparecimento e o retorno do objeto. Este desaparecimento e retorno nos remete a relação mãe-bebê, porque uma criança pequena jamais quer sua mãe longe de si.
Ocorre que o bebê, deparando-se com esta dura realidade - a de que a mãe não está todo o tempo à sua disposição -, vai amadurecendo e assim, torna-se cada vez mais independente. Ainda, precisando dar conta desta condição, utiliza-se de um artifício, "representando" concretamente por meio do carretel que vê sumir e aparecer, assim como a mãe que para ele às vezes desaparece.
Por meio da representação, dá-se uma associação. Ele descobre que aquela mãe foi... mas não para sempre. Ela pode ir mas vai voltar. Outra coisa importante que se dá neste jogo é que o garotinho, por mais desagradável que sinta o "abandono da mãe", ao repetir várias vezes esta brincadeira assume uma atitude ativa, descobre uma maneira de controlar a ausência de um "objeto" perdido, a mãe.
Este tipo de jogo vai se repetir em várias situações na vida da criança e é a maneira dela entender o mundo que a rodeia. Imaginem que, a princípio, o bebê fica a maior parte do seu dia no bercinho e, assim, o mundo passa por ele, quando começa a fazer estas brincadeiras sua atitude muda e passa interferir no mundo.
Uma outra brincadeira muito conhecida que eles adoram é aquela do "achôô", na qual um adulto coloca uma fralda a sua frente e pergunta cadê fulaninho? Cadê? E tirando a fralda de sua frente diz: achôô!!! E a criancinha se diverte.