Um levantamento inédito realizado em 20 capitais brasileiras, mostra que 49,8% das crianças com menos de três anos têm anemia.
O estudo, conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avaliou as condições de 8 mil crianças matriculadas em creches públicas, entre os anos de 1996 a 1999.
Os números apresentados em alguma capitais assustam. Entre as crianças avaliadas no Recife, cidade que obteve o pior índice na pesquisa, 81% eram anêmicas. São Paulo ficou em quarto lugar com 56% das crianças apresentando anemia.
O problema ganha proporções ainda maiores quando se considera que para cada criança com diagnóstico de anemia, há outra na mesma faixa etária, com deficiência de ferro no organismo, ou seja, a um passo da doença. "Isto significa que dois terços das crianças brasileiras estão com reservas alteradas de ferro no organismo", afirma o coordenador da pesquisa, o professor de pediatria da Unifesp Mauro Fisberg .
"Não podemos aceitar isso, porque a doença tem um custo social muito alto", completa.
O alerta não é à toa. Estudos feitos em vários países demonstram que crianças com anemia apresentam alteração na memória, na velocidade de raciocínio e no aprendizado em geral. Os trabalhos indicam que pacientes anêmicos têm desenvolvimento cognitivo 20% menor do que crianças com níveis adequados de ferro no organismo, e mesmo quando as crianças são tratadas elas não conseguem recuperar o déficit. "Para isso, elas precisariam ser estimuladas, o que muitas vezes não ocorre", segundo Fisberg.
O pediatra garante que esse alto índice poderia ser evitado. "Sabemos que a doença é comum entre pessoas com nível socioeconômico menos privilegiado, mas se houvesse fortificação nos alimentos de fácil acesso, certamente o problema seria menor", garante.