Com o avanço da tecnologia, muitas doenças podem ser identificadas antes mesmo do recém-nascido vir ao mundo. Uma deficiência que pode ser reconhecida através do exame de ultra-som é a fissura lábio palatal, também conhecida como lábio leporino e fenda de palato.
As crianças que nascem com essa deformidade precisam de um tratamento específico e de uma equipe multidisciplinar responsável por fazer acompanhamento caso a caso.
Segundo a fonoaudióloga Adriana Elena Braga Rondello, da entidade Afissore (Associação dos Fissurados Labiopalatais de Sorocaba e Região), a fissura é uma má-formação congênita que ocorre em períodos embriológicos acarretando problemas estéticos, funcionais e psicológicos nas crianças.
Essa má formação acomete uma criança a cada 600 nascimentos. Adriana explica que a existem diversos tipos de fissuras, dentre elas a fissura de lábio pré-forame, de palato pós-forame e lábio e palato transforames. Todas essas podem ser uni ou bilateral completas e incompletas. Ainda existem as menos comuns: cicatriz de Keith, fissura submucosa e submucosa oculta.
Causas e tratamento
A fonoaudióloga explica que as causas podem ser hereditárias, alterações morfológicas, distúrbios hormonais, mães diabéticas, hipotiroidismo; estresse, aumento das atividades supra-renais, infecções como gripes, viroses, toxoplasmose, e rubéola, falta de vitaminas, proteínas e ácido fólico,
medicamentos como corticoesteróides, cortisona, talidomida, salicilatos, entre outros, drogas e cigarros; radiação, idade avançada na gestação, anemia.
Atualmente, o “Centrinho”, hospital que reabilita esta anomalia faz uma pesquisa para saber se é fato que o Acido Fólico (remédio utilizado durante a gravidez) previne essa má formação.
Adriana esclarece que a fissura pode ser identificada através de ultra-som a partir da 20ª semana de gestação. A fissura de lábio é chamada por leigos de lábio leporino e a fissura de palato, fenda de palato.
Os lábios leporinos têm um tratamento complexo e demorado.
Os recém-nascidos com fissura labial e deformações no osso do céu da boca precisam de cuidados desde os primeiros dias de vida até os 18 anos.
A cirurgia de lábio leporino é realizada normalmente aos três meses de vida. A cirurgia da fenda de palato é realizada entre 10 a 18 meses. Além dessas primeiras cirurgias o paciente poderá passar por outras correções também cirúrgicas conforme a necessidade e avaliação da equipe interdisciplinar, que envolve dentistas, fonoaudiólogos, psicólogos, otorrinos, sempre visando a reabilitação global. O tratamento é totalmente gratuito.
Entidade – A Afissore é uma associação formada por pais de crianças portadoras da fissura labial que está em Sorocaba há 18 anos. A entidade abrange 22 cidades e atende 470 pacientes por mês. Atualmente, sobrevive de doações, verbas federais, municipais e esporadicamente estaduais.
Segundo a presidente da instituição, Mariana Moron Dal Pian Flores Dias, o atendimento da Afissore começa quando o hospital avisa que nasceu uma criança com fissura. A entidade é responsável por dar todo o apoio e as primeiras orientações quanto à amamentação e cuidados especiais com o bebê.
A Associação realiza gratuitamente atendimento ambulatorial pré e pós cirúrgico através de uma equipe multiprofissional composta por: psicologia, fonoaudiologia, odontologia, serviço médico, nutrição e serviço social. Os procedimentos cirúrgicos são realizados no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais em Bauru.
http://www.centrinho.usp.br/