Se todo o seu organismo muda com a chegada do bebê, imagine o que acontece com o maior órgão do corpo "a pele" durante a gestação.
Muito além da preocupação estética, cuidar da pele durante a gestação é uma questão de saúde. A revolução que os hormônios promovem no corpo da mulher grávida afeta também a pele. Auréolas do seio e vulva escurecem e surge a linha nigra, um indicador irrefutável da gravidez.
O dermatologista Gilvan Ferreira Alves, que se dedica à dermatologia de gestantes, é mestre em Dermatologia pela Universidade de Londres e membro da Royal Society of Dermatology (Reino Unido), avisa: “A pele é o maior órgão do nosso corpo e não fica imune as alterações endocrinológicas e metabólicas que ocorrem durante a gestação”.
Ele destaca, entre outras alterações fisiológicas;
• o escurecimento da pele
• o surgimento de pequenos vasos no colo e na face
• o avermelhamento de pés e mãos.
Segundo a dermatologista Luciane Scattone, membro da Academia Americana de Dermatologia e especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, algumas mudanças são inevitáveis;
• No rosto, a pele pode ficar mais oleosa, ocasionando o aparecimento de espinhas.
• Já a pele do corpo, segundo a dermatologista, pode ficar mais seca.
Hidratação
Tanto o rosto quanto o corpo da gestante precisam de cuidados na hidratação, mesmo com o aparecimento de acne.
A retenção de líquidos e o inchaço, comuns na gestação, podem influenciar na absorção de substâncias pela pele. “A pele da gestante fica mais hidratada e por isso a chance de absorver substâncias em contato com a pele é maior.
Isto aumenta o risco de irritação”, alerta o dermatologista Gilvan Ferreira Alves. Por isso, o uso de produtos neutros e hipoalergênicos é um cuidado essencial. A futura mamãe também deve ter o cuidado adicional de analisar o perfume de cada cosmético, já que enjoar em decorrência de cheiros é comum. Mas se os produtos usados pela mulher antes da gestação não causarem nenhuma reação incômoda, eles podem, na maior parte das vezes, continuar a serem utilizados. “A hidratação pode ser feita com cremes à base de uréia, gluconolactato, óleo de amêndoa ou semente de uva”, recomenda a dermatologista Luciane Scattone.A restrição fica por conta do ácido retinóico, substância que pode causar má-formação fetal e, por isso, deve ser evitado. Outras substâncias que podem causar deformidade fetal são o retinaldeído, alumínio e chumbo. Segundo Alves, alguns desses produtos são chamados de cosmecêuticos, que interagem com o metabolismo. “Pelo conceito da ANVISA, cosmético não pode interagir no metabolismo da pele. Portanto os únicos produtos que as gestantes estão autorizadas a adquirir sem orientação médica são os cosméticos ”, explica ele.
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