A interrupção da gravidez gera mudanças físicas e psicológicas, e o apoio profissional é importantíssimo nessa fase. De acordo com a terapeuta familiar e psicanalista infantil, Anne Lise Silveira Scappaticci, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-EPM), existem dois aspectos importantes à serem observados no processo para superar a perda e ao mesmo tempo se preparar para a chegada de outro filho. "O primeiro passo é cuidar do corpo. Nesse caso, a ajuda de um obstetra de confiança é fundamental", avalia.
Fazer todos os exames necessários para detectar as causas e acompanhar a recuperação do organismo é essencial. Em geral, os médicos recomendam uma pausa de seis meses para tentar uma nova gravidez.
Além disso, é necessário se conscientizar que o nascimento e a morte são processos incontroláveis e que o ser humano tem que conviver com isso. "Não se deve fazer disso uma catástrofe. Tal pensamento impede de sair desse processo e entrar em contato com suas emoções", afirma.
É preciso que a futura mamãe tenha em mente duas coisas: ela não é a única mulher que passa por tal experiência e, na primeira gravidez existe uma possibilidade maior disso ocorrer. Os abortamentos são ocorrências presentes na vida de muitos casais. "Durante a gravidez, o físico e o emocional estão muito próximos, mas o desejo de ter outro filho tem que predominar, estimulando-se a fase construtiva", frisa, acrescentando que perder um filho é doloroso, mas não deve ser encarado de forma trágica. " Pensar nisso não vai diminuir ou aumentar essa dor", salienta a terapeuta.
Por isso, cuidar do corpo, recuperar-se e ter uma atitude positiva - deixar que o desejo de ser mãe fale mais alto -, é um bom começo para se preparar para a chegada de uma nova vida.
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